Uma Leitura Crítica do Plano da Chapa Bolsonaro - Mourão
Introdução
Que Bolsonaro já deu declarações polêmicas no passado todo mundo sabe . Sabemos também que tem gente que prefere ignorar todas essas questões sociais em favor de "outras prioridades" . O objetivo deste documento é olhar para o plano de governo da chapa Bolsonaro - Mourão para entender quais são essas prioridades.
O plano do governo da chapa é uma apresentação de slides que mistura diagnósticos com propostas. Desta forma, a leitura foi feita página a página buscando extrair quais são as propostas. Algumas propostas foram colocadas de forma muito clara (por exemplo, usando frases com a construção "vamos fazer X"). Ao longo deste documento, essas propostas serão identificadas com "Propostas!". Outras foram colocadas de forma menos incisiva (por exemplo, "É necessário que X aconteça"). Essas foram marcadas com "Propostas?".
Além da identificação das propostas, foi feita uma análise crítica de algumas delas. Essa análise foi feita pela identificação de contradições internas (ou seja, entre a proposta apresentada e algum discurso da chapa) ou pela identificação de incoerências com dados, estudos existentes e discordância política. O primeiro caso foi marcado com "Contradição" e o segundo caso foi marcado com "Crítica". Note que eu não tenho conhecimentos profundos em todos os assuntos tratados pelo plano de governo, desta forma não teci críticas a assuntos que eu não tinha conhecimento suficiente nem referências. Mas para a maior parte dos assuntos, as críticas e contradições foram acompanhadas de referências.
MINHA CONCLUSÃO: o plano possui propostas boas e ruins. Entretanto, algumas propostas são muito ruins como a diminuição da fiscalização ambiental para facilitar a expansão da agricultura (página 68) e da criação de pequenas hidrelétricas (página 71). Vale notar que danos ambientais podem ser irreversíveis e afrouxar nesta questão mais do que esteve afrouxado nos últimos anos de PT e PMDB pode trazer problemas sérios para a saúde e para o futuro do Brasil. Além disso, muitas partes do plano são desonestas, ao usarem de dados incompletos e manipulados para fazer justificativas. Isso ocorreu ao compararem posse de armas com criminalidade (página 25), atribuírem o aumento de criminalidade a governos de esquerda (página 26) e relativizarem a quantidade de mortos causados por ações policiais (página 28). Várias outras partes do plano são contraditórias tanto com falas da chapa quanto com outras propostas. Por exemplo, o plano fala tanto em seguir modelo educacional da Coréia do Sul (página 41), quanto expurgar ideologia de Paulo Freire (página 46). Por fim, muitas propostas foram colocadas de forma genérica sem especificar o que vai ser feito de verdade. Desta forma, fica difícil identificar o que realmente está sendo proposto.
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Página 1 - O Caminho da Prosperidade
Capa
Página 2
Fala de forma bem genérica o que propõe: trazer liberdade e devolver o país aos brasileiros.
Página 3 - Valores e Compromissos
Capa
Página 4
Diagnóstico sem propostas. Fala da importância da propriedade privada, família.
Página 5
Diagnóstico sem propostas. Fala em liberdade e fraternidade.
Página 6
Nenhuma proposta concreta. Fala em defesa das leis e obediência à Constituição.
Contradição: Mourão defende nova constituição, mas a constituição atual não permite que presidente faça isso .
Se coloca a favor dos direitos humanos (direitos inalienáveis como ser humano).
Contradição: Bolsonaro declarou em 2017: "Vamos fazer o Brasil para as maiorias. As minorias devem se curvar às maiorias. A lei deve existir para defender as maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente DESAPAREÇAM" . Forçar alguém a mudar pra se adequar a um padrão vai de encontro ao artigo 20 dos direitos humanos
Página 7
Nenhuma proposta concreta. Fala que é defensor da liberdade religiosa. Também fala que o povo deve ser livre pra pensar, se informar, opinar, escrever e escolher seu futuro.
Contradição
Página 8
Diagnóstico sem propostas. Critica marxismo cultural, gramscismo.
Página 9 - Mais Brasil, Menos Brasília
Capa
Página 10
Definição de prioridades: coloca segurança, saúde e educação como prioridades.
Propostas?
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Fazer ajustes para garantir crescimento com inflação baixa e gerar empregos.
Crítica: Não explica como.
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Enfrentar "grupos de interesses escusos que quase destruíram o país".
Crítica: Não diz exatamente qual é o grupo, mas fala que "a esquerda corrompeu a democracia".
Página 11
Diagnóstico sem propostas. Diz valorizar a constituição (ver 1a contradição da página 6) e critica foro de são paulo.
Página 12
Diagnóstico sem propostas. Fala dos problemas de segurança, drogas, corrupção, infraestrutura, educação, desemprego e desrespeito às leis.
Página 13
Valoriza o liberalismo econômico.
Contradição
Bolsonaro nunca foi liberal na prática. Sempre foi contra privatização de estatais, foi contra o plano real, se absteve de votar na PL da terceirização, atacou a PEC 241 .
Bolsonaro criticou em setembro a lei rouanet , que é uma lei liberal que dá direito das pessoas/empresas escolherem investir o dinheiro em cultura ao invés de pagar impostos .
Propostas!
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Diz que a "estratégia será adotar as mesmas ações que funcionam nos países com crescimento, emprego, baixa inflação, renda para os trabalhadores e oportunidades para todos".
Crítica: Não especifica nem que países são esses e nem quais são as ações.
Página 14
Diagnóstico sem propostas. Mais diagnósticos da economia.
Página 15
Diz que a justiça poderá seguir seu rumo sem interferências políticas.
Contradição
Página 16 - A Nova Forma de Governar
Capa
Página 17
Propostas!
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Reduzir ministérios.
Crítica: Não especifica quais. Ao longo do plano fala de alguns, mas não há uma lista com todos.
Página 18
Propostas!
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Cada gestor, diante de metas, deverá justificar demandas por recursos públicos
Dúvida: Já não é assim?
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O montante gasto no passado não justificará os recursos demandados no presente ou no futuro. Não haverá mais dinheiro carimbado para pessoa, grupo político ou entidade com interesses especiais.
Crítica: Por mais que eu concorde em parte a proposta, vinculações de receitas faz parte da constituição e de leis definidas pelo legislativo. Está fora do controle do presidente.
Página 19
Propostas?
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Fala em federação de verdade com recursos sendo liberados sem intermediários para prefeitos e governadores.
Página 20
Propostas?
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Fala em reduzir burocracia e no governo confiar em pessoas.
Página 21 - Linhas de Ação
Capa
Página 22
Apresenta de forma rasa as linhas de ação:
- Enfrentar crime e cortar a corrupção
- Melhorar a saúde e dar um salto de qualidade na educação infantil, básica e técnica
- Emprego, Renda e Equilíbrio Fiscal. Dar oportunidades e trabalho para todos, sem inflação
Página 23 - Segurança e Combate à Corrupção
Capa
Página 24
Diagnóstico sem propostas. Mais diagnóstico da violência. Critica documentário da Globo que colocou culpa de assassinatos em armas de fogo.
Página 25
Argumenta que armas são só instrumentos e compara armas com martelos e facas.
Crítica: Armas de fato são instrumentos, mas diferente de martelos e facas que possuem objetivos não violentos (e causam estragos a um número pequeno de pessoas), armas só tem objetivo de intimidar (e causam estragos muito maiores).
Diz que existe uma arma de fogo na maioria dos lares dos seguintes países: EUA, Áustria, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Israel, Suíça, Canadá.
Crítica: Isso é falso! Procurei a quantidade de casas com armas de fogo nesses países:
15% das casas na Áustria possuem armas . O dado (proportion of Households with Firearms) é de 2005, mas a quantidade de armas na Áustria não mudou muito de 2007 até 2017.
12.5% das casas na Alemanha possuem armas . O dado também é de 2005, mas a quantidade de armas caiu pela metade em 2017.
16% na Suécia em 2010, mas a quantidade de armas cresceu 15% até 2017 .
26.1% na Noruega em 2005, mas boa parte dessas armas são de caça. Apenas 3.7% das casas possuem armas de mão (revólver/pistola) .
37.9% na Finlândia em 2005, com a mesma situação da Noruega: 6.3% das casas possuem armas de mão. Além disso, o número de armas caiu 25.3% de 2005 até 2017 .
15.5% no Canadá em 2005, mas apenas 2.9% são armas de mão. Por outro lado, a quantidade de armas (em geral) cresceu 27% até 2017 .
28.6% na Suíça em 2005, sendo que a quantidade de armas caiu 31% de 2005 até 2017 .
Não achei dados de Israel, mas aparentemente a lei mudou para algo mais permissivo em Agosto deste ano, depois da liberação do plano do Bolsonaro .
Ou seja: em NENHUM desses países existem armas na maior parte dos lares. Muitos desses países facilitam a posse de armas apenas para caça. Em vários outros, ter armas é tão restritivo quanto o Brasil.
Compara nossa situação com países vizinhos.
Crítica: Faz manipulação estatística incorreta para mostrar "correlação inversa entre armas nos lares e homicídios"
O plano compara apenas com Chile, Uruguai, Argentina e Paraguai.
Deixa de fora Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa.
Não achei a fonte do estudo, mas podemos pegar dados de outros lugares .
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País Armas / 100 hab. Mortes por armas / 100.000 hab. Ranking de posse Uruguai 34.7 11.53 8 Guiana Francesa 19.6 3.69 27 Venezuela 18.5 59.13 35 Paraguai 16.7 7.76 40 Suriname 15.9 3.49 46 Guiana 15.8 3.25 47 Chile 12.1 2.40 69 Colômbia 10.1 18.65 81 Brasil 8.3 21.90 97 Argentina 7.4 6.93 104 Bolívia 2.0 0.74 176 Peru 2.0 4.22 178 Coeficiente de Pearson de correlação entre armas e mortes por armas: 0.194. Por ser um valor positivo, contraria o argumento do plano de governo. Porém, não dá pra afirmar que existe correlação, dado que o número está próximo de 0.
Nota 1: O coeficiente vai de -1 a 1, onde -1 indica correlação negativa perfeita, 1 indica correlação positiva perfeita, e 0 indica que não há correlação linear. O número está mais próximo de 0 do que de 1.
Nota 2: A tabela de mortes por armas não estava completa para as Guianas e Suriname. O Dado usado na tabela é de ano diferente do resto e isso ameaça a validade. Entretanto, a aproximação é maior do que simplesmente excluir esses países. Ainda assim, se excluir os países o coeficiente de Pearson é de 0.293, o que aumenta a correlação positiva entre posse de arma e mortes por armas, contrariando ainda mais o que foi dito no plano de governo.
Página 26
Diagnóstico sem propostas. Atribui o top 5 dos estados com piora das taxas de homicídios (RN, MA, PA, BA, CE) a esquerda ter passado a governar esses estados e ter introduzido uma "epidemia" de drogas.
Dúvida/Crítica: O que é esquerda pro Bolsonaro? O governador do RN é do PSD, o do PA é do PSDB . Se esses partidos entram no bolo da esquerda, quais são os partidos mais à direita? Eles governam algum estado? Se não governam, a associação é totalmente desonesta.
Página 27
Apenas um gráfico da variação da taxa de homicídios e um texto atribuindo a participantes do Foro de SP.
Crítica: Os partidos ligados ao foro de SP são: PDT, PCdoB, PCB, PSB, PPS, PPL, PT . Esses partidos possuem governadores em 13 estados . Existem governadores desses partidos tanto em estados que reduziram as taxas de homicídios (PSB em PE), quanto em estados que aumentaram (PT na BA). Não vou ficar olhando um por um, mas os dados mais uma vez parecem não indicar correlação se olhar para todos os estados.
Página 28
Mais diagnóstico sem propostas. Fala do número de mortes associadas com ações policiais (1374 mortes causadas por ações policiais em comparação com 62517 homicídios de 2016).
Crítica: Tenta relativizar essas mortes dizendo que APENAS 2% de mortes violentas estiveram associadas com ações policiais. 2% de 62517 são mais de 1200 pessoas. Além disso, dados velhos e errados. Em 2016, 4222 mortes foram causadas por policiais. Esse número cresceu para 5012 em 2017 . Vale lembrar que Bolsonaro já falou em dar carta branca pra PM matar em 2017 (e recuou em seguida ).
Página 29
Critica a preocupação da esquerda com mortes associadas a ações policiais e cita que foram mortos 552 policiais em 2017.
Crítica: Mais relativização de mortes. É possível criticar mortes causadas por policiais e mortes de policiais! As duas coisas não são incompatíveis.
Página 30
Mostra um gráfico com a taxa de aprisionamento por estado. Coloca ao lado do gráfico de aumento de homicídios e diz "Prender e Deixar na Cadeia Salva Vidas!".
Crítica: Apesar de parecer haver sim uma correlação visualmente, não há cálculo dessa correlação. Além disso, correlação não implica causalidade. Podem existir vários outros motivos para essa correlação: IDH elevado, população urbana ou rural, ou até mesmo a polícia mais eficiente em combater o crime.
Página 31
Mais diagnóstico sem propostas. Mostra um gráfico que fala da distribuição percentual de vítimas de estupro.
Crítica: Joga o gráfico sem falar nada sobre ele e sem falar o que devemos interpretar.
Página 32
Propostas!
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Investir fortemente em equipamentos, tecnologia, inteligência e capacidade investigativa das forças policiais.
Crítica: Com exceção da polícia federal, que tem atuação muito específica, esse investimento é competência dos estados.
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Prender e deixar preso! Acabar com progressão de penas e saídas temporárias.
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Reduzir a maioridade penal para 16 anos.
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Reformular o estatuto do desarmamento para garantir o direito do cidadão à LEGÍTIMA DEFESA sua, de seus familiares, de sua propriedade e a de terceiros.
Crítica: Não quero ser "defendido" por terceiros e correr o risco de levar um tiro da pessoa que errou o bandido tentando me proteger de um assalto. De qualquer forma, não há nenhum indício de que liberar armas diminui ou aumenta a violência . Na dúvida, prefiro não correr o risco.
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Policiais precisam ter certeza que, no exercício de sua atividade profissional, serão protegidos por uma retaguarda jurídica. Garantida pelo Estado, através do excludente de ilicitude.
Crítica: Excludente de ilicitude já existe e os policiais são protegidos sim por ela . O único requisito é o cumprimento estrito da ordem. Sendo isso uma proposta, será que o plano propões acabar com esse requisito?
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Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.
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Retirar da Constituição qualquer relativização da propriedade privada, como exemplo nas restrições da EC/81.
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Redirecionamento da política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência.
Página 33
Mais diagnóstico sem proposta. Diz que forças armadas tiveram imagem atacada pela esquerda.
Página 34
Fala em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para combater ameaças digitais. Fala também no papel das Forças Armadas em levar saúde e educação para áreas remotas e no combate ao crime organizado.
Propostas?
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Valorização e proteção de integrantes das Forças Armadas.
Propostas!
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Colégio militar em todas as capitais de Estado em 2 anos.
Página 35
Propostas!
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Resgatar "As Dez Medidas Contra a Corrupção"
Crítica: O projeto está parado na câmara. O presidente não tem poder para resgatar isso.
Página 36 - Saúde e Educação
Capa
Página 37
Diagnósticos sem propostas. Basicamente fala que vai melhorar a saúde sem aumentar o gasto.
Página 38
Gráfico que compara gastos de saúde no PIB com outros países para corroborar com a argumentação da página 37.
Página 39
Propostas!
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Prontuário Eletrônico Nacional Interligado.
Crítica: Já existem esforços nesse sentido com a implantação do e-SUS pelo ministério da saúde, e existem várias questões legais relacionadas ao tráfego de dados pessoais dos pacientes, interoperabilidade semântica dos sistemas e infraestrutura tecnológica .
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Credenciamento Universal dos Médicos: toda força de trabalho da saúde poderá ser usada pelo SUS.
Contradição/Crítica: Isso contradiz a valorização do liberalismo econômico da página 13. Obrigar o médico a aceitar o pagamento tabelado do SUS pelo trabalho dele não é muito liberal. De qualquer forma, para os médicos que querem, isso já acontece com instituições conveniadas, como ANDEF e ABBR .
Página 40
Propostas!
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Libertar os cubanos do Mais Médicos, permitindo que suas famílias imigrem para o Brasil.
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Médicos de Estado: será criada esta carreira para atender as áreas remotas e carentes.
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Treinar agentes comunitários de saúde para se tornarem técnicos de saúde preventiva.
Crítica: Isso já faz parte das atribuições dos agentes comunitários de saúde. Ver o ponto VII da página 49 da Política Nacional de Atenção Básica .
Página 41
Mais diagnósticos. Valoriza a estratégia educacional do Japão, Taiwan e Coréia do Sul.
Crítica: Não explica qual é essa estratégia e no que ela é diferente da nossa.
Coloca prioridade inicial na educação básica e ensino médio / técnico.
Propostas!
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Fala em mudar conteúdo e método de ensino colocando mais matemática, ciências e português, sem doutrinação e sexualização precoce.
Crítica: A base nacional comum curricular já foi alterada em 2018, colocando as únicas disciplinas obrigatórias (do ensino médio) como português e matemática e definindo itinerários para o aprendizado de outras matérias . Não tem muito o que mudar agora e o modelo só passa a valer pra 2019.
Página 42
Gráfico.
Crítica: gráfico ilegível que não é explicado.
Página 43
Diagnóstico sem propostas. Apresenta nossos péssimos resultados no PISA.
Página 44
Mais diagnóstico sem propostas. Fala da taxa de abandono no ensino médio.
Página 45
Apresenta o valor gasto em educação em cada categoria.
Propostas?
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Fala em inverter a pirâmide gastando mais com a educação infantil, fundamentar e média.
Crítica: Não há fonte na imagem para saber exatamente como são esses gastos, mas muitas vezes os custos de pesquisa e extensão entram na conta do ensino superior. Inverter a pirâmide nesse caso seria cortar o investimento e em ciência.
Página 46
Fala em expurgar a ideologia de Paulo Freire.
Crítica: Paulo Freire foi um dos cientistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente (3o teórico mais citado no mundo) . O Brasil nunca seguiu muito as ideias dele, mas Finlândia e Coreia do Sul seguem e possuem ótimos resultados .
Contradição: A página 41 valoriza o ensino da Coréia do Sul. A Coréia do Sul aplica um semestre sem avaliações para permitir que crianças desenvolvam habilidades do próprio interesse sem a preocupação de provas . Isso é relacionado à "ideologia" de Paulo Freire de dar liberdade de aprendizado.
Fala que professores são agredidos, física ou moralmente por alunos ou pais. Logo em seguida, diz que um dos maiores males atuais é a forte doutrinação (se colocando a favor da escola sem partidos).
Contradição 1: Dar poder a alunos e pais de denunciarem professores pelo conteúdo passado é aumentar as chances de professores sofrerem agressões morais. Afinal, como diferenciar o que é doutrinação do que é conteúdo de forma objetiva? Tem gente que coloca criacionismo (design inteligente) com a mesma relevância da evolução. O que sofreria um professor que só ensinasse evolução (o que pra mim é o correto)?
Contradição 2: Bolsonaro se diz a favor do escola sem partido, mas já cansou de (tentar) dar palestras em universidades
Fala que universidades precisam gerar avanços técnicos, desenvolver novos produtos e fomentar o empreendedorismo.
Crítica: Não explica como.
Coloca educação a distância como um importante instrumento que não deveria ser vetada.
Crítica: Educação a distância não é vetada. Existem diversos cursos superiores de ensino a distância .
Propostas!
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Impedir aprovação automática.
Crítica: Tem estudo que mostra que a aprovação automática não causa diminuição da qualidade de ensino e estudo que mostra que apesar de o desempenho dos que recebem aprovação automática ser menor, ela satisfaz os objetivos de aumentar a permanência do aluno na escola e melhora a renda futura . Pessoalmente, também sou contra aprovação automática, mas eu abriria isso pra discussão antes de colocar no plano de governo.
Página 47
Propostas!
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Integração entre ensino superior, médio e fundamental para que universidades qualifiquem alunos e professores nas áreas onde existirem carências.
Dúvida: Já não é assim? A proposta deixa meio vago o que é integração.
Página 48
Diagnóstico: diz que o modelo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil está esgotado e não pode ser mais dependente exclusivamente de recursos públicos.
Propostas!
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Criação de "hubs" tecnológicos para estimular parceiras entre empresas e universidades.
Página 49
Afirma que os melhores pesquisadores seguem suas pesquisas em mestrados e doutorados SEMPRE próximos das empresas
Crítica: Pesquisas de base costumam não ter interesse de empresas e precisam de financiamento do estado
Propostas?
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Universidades devem estimular o empreendedorismo.
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Cada região deve buscar vantagens comparativas locais (Nordeste pesquisar fontes de energia renovável).
Crítica: Não vejo muito motivo em colocar essa restrição. A tecnologia pode ser pesquisada e desenvolvida em qualquer lugar. É diferente da situação da implantação, que deve levar em consideração o local.
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O Brasil deverá ser um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio.
Crítica 1: Já existem centros de pesquisa em grafeno no brasil . Pra tornar um centro mundial exige um grande investimento, interesse de pesquisadores, e reconhecimento. Não acho que seja possível fazer isso só com uma canetada.
Crítica 2: Dizem que não há mercado para mais nióbio . Além disso, é difícil você direcionar uma pesquisa colocando uma restrição tão fixa quanto "é necessário usar o nióbio"
Página 50 - Economia e Infraestrutura
Capa
Página 51
Coloca como prioridade gerar crescimento, oportunidades e emprego e fala que um país justo deve propiciar aos mais pobres oportunidades para superarem suas dificuldades.
Página 52
Fala em afastar populismo e acabar com o descontrole de contas públicas.
Página 53
Propostas!
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Tornar o Banco central politicamente independente, mas alinhado com o Ministério da Economia.
Dúvida: Como alinhar os dois e manter independente?"
Página 54
Mais diagnóstico. Fala do inchaço do setor público. Fala em corte de privilégios.
Contradição
Página 55
Propostas?
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Atenção especial ao controle dos custos associados à folha de pagamento.
Propostas!
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Quebrar o círculo vicioso do crescimento da dívida, substituindo-o pelo círculo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos.
Página 56
Diagnóstico. Fala o quanto custam os juros.
Propostas!
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Reduzir o volume da dívida em 20% por meio de privatizações, concessões, venda de propriedades imobiliárias da União.
Crítica: Não fala quais estatais serão privatizadas.
Página 57
Propostas!
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Substituir o modelo de previdência tradicional pelo modelo de capitalização. Fala em dar a opção de novos participantes escolherem para qual sistema desejam contribuir. Propõe a criação de um fundo para reforçar o financiamento da previdência e compensar a redução de contribuições do sistema antigo.
Dúvida: De onde viria o dinheiro para esse fundo? Como equilibrar o fundo com a proposta da página 55?
Página 58
Unificação de tributos e radical simplificação do sistema tributário.
Propostas!
Redução da carga tributária bruta.
Simplificação e unificação de tributos federais eliminando distorções e aumentando a eficiência da arrecadação.
Descentralização e municipalização para aumentar recursos tributários na base da sociedade.
Discriminação de receitas tributárias específicas para previdência.
Introdução de mecanismos capazes de criar um sistema de imposto de renda negativo na direção de uma renda mínima universal.
Melhorar a carga tributária brasileira fazendo com que os que pagam muito paguem menos e os que sonegam e burlam, paguem mais.
Página 59
Propostas!
Mantém tripé macroeconômico vigente: cambio flexível, meta de inflação e meta fiscal.
Página 60
Diagnóstico sem proposta. Fala do gasto de empresas públicas.
Página 61
Propostas!
Usar recursos de privatizações dessas empresas para o pagamento da dívida pública.
Página 62
Propostas!
BNDES deverá atuar como "Banco de Investimentos" da União.
Página 63
Propostas!
Página 64
Propostas!
Página 65
Propostas!
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Redução de alíquotas de importação e barreiras não-tarifárias, em paralelo com a constituição de novos acordos bilaterais internacionais.
Página 66
Propostas?
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Desenvolvimento e fortalecimento do mercado de capitais.
Estímulos à inovação e ao investimento em novas tecnologias.
Ampla requalificação da força de trabalho para demandas da "nova economia" e tecnologias de ponta.
Apoio a "startups" e "scale-ups" de alto potencial.
Página 67
Propostas!
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Criação do BALCÃO ÚNICO para centralizar todos os procedimentos de abertura e fechamento de empresas.
Página 68
Propostas!
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Acabar com ministério do meio ambiente e juntá-lo ao da agricultura.
Crítica: A proposta poderia até ser razoável se houvesse uma tentativa de aproximar os ministérios para que a agricultura fosse feita de forma responsável com meio ambiente, MAS, ao falar da proposta ele CRITICA a atuação do ministério do meio ambiente em multar produtores que desrespeitam leis ambientais . Ou seja, a ideia da junção é só pra tirar força do ministério e permitir mais desmatamento.
Página 69
Deixa solto as grandes demandas da agricultura sem falar o que pretende fazer.
Página 70
Propostas?
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Desburocratizar, simplificar, privatizar, e pensar de forma estratégica e integrada na infraestrutura para atrair investimentos.
Página 71
Diagnóstico: fala de problemas no setor energético. Coloca licenciamento ambiental como um problema na criação de pequenas centrais hidrelétricas.
Crítica: Hidrelétricas causam um grande impacto ambiental . Estudos SÃO necessários para diminuir esses impactos.
Página 72
Sugere que o Nordeste se torne a base de uma nova matriz energética limpa, renovável, a partir do sol, vento e mão de obra.
Página 73
Propostas?
Promover competição no setor a partir da venda de parcela substancial da capacidade de refino, varejo e transporte da petrobrás.
O gás natural exercerá papel fundamental na matriz elétrica e energética nacional.
Propostas!
Remover gradualmente exigências locais da exploração do pré-sal.
Preço do petróleo seguindo mercado internacional, mas com flutuações suavizadas por mecanismos de hedge.
Página 74
Propostas?
Rediscutir impostos no preço energético com estados.
Página 75
Propostas?
Desverticalizar e desestatizar o setor de gás natural.
Compartilhamento dos gasodutos.
Independência de distribuidoras e transportadoras de gás natural.
Mercado atacadista de gás natural.
Exploração não convencional, podendo ser praticada por pequenos produtores.
Página 76
Diagnóstico sem propostas. Fala da queda de qualidade da infraestrutura de transportes.
Página 77
Propostas?
Integração com vasta malha ferroviária e rodoviária.
Meta de redução de custos e prazos para embarque e desembarque.
Página 78
Propostas?
Atrair investimento privado para modernização e expansão de aeroportos.
Página 79
Ênfase nas relações e acordos bilaterais
Propostas!
Fomentar o comércio exterior com países que possam agregar valor econômico e tecnológico ao Brasil.
Aprofundas integração com países latino-americanos que estejam livres de ditaduras.
Página 80
Diz que todos os objetivos não valem sem resgatar a fraternidade, respeito ao próximo, cidadania, e responsabilidade com os mais fracos e vulneráveis.
Crítica: Sério? Nos fez ler até aqui para dizer que os objetivos estão condicionados a uma mudança cultural?
Considerações Finais
Como sei que quase ninguém vai chegar até aqui, coloquei minhas considerações na introdução.
Para o 1o turno, se você percebeu que tem discordâncias, mas ainda pretende votar no Bolsonaro como a opção "para tirar o PT", vou terminar o documento reproduzindo o excelente texto do Thomas Conti :
Fato 1: Se a maior preocupação do eleitor do Bolsonaro é tirar o PT de cena, haveria outros candidatos de direita para se escolher com maior chance de vitória no segundo turno. Em particular Alckmin.
Se a maior preocupação do eleitor do Haddad fosse tirar o Bolsonaro de cena, haveria outros candidatos de esquerda para se escolher com maior chance de vitória no segundo turno. Em particular Ciro Gomes, cujo programa econômico é quase indistinguível do PT.
Vou levantar uma hipótese sobre o cenário eleitoral não porque eu mesmo a considere correta, mas apenas porque ainda não a vi escrita em nenhum lugar e acredito que mereceria uma investigação.
Eleger o Bolsonaro seria eleger o candidato que causaria maior frustração nos eleitores de Haddad & companhia. Eleger Haddad seria eleger o candidato que causaria maior frustração nos eleitores de Bolsonaro &companhia.
Hipótese: e se o nível de ódio seja tamanho que alguma parte relevante do eleitorado de Bolsonaro e de Haddad esteja de fato pesando o risco de derrota ante o "benefício" de causar máximo dano no lado rival?
Se quiser fazer algum comentário/crítica sobre o texto, faça no seguinte endereço: https://github.com/jp5441/planobolsonaro/issues.
Referências
- 126 declarações com referências e datas
- Sobre os “verdadeiros problemas” do Brasil
- Plano de Governo da Chapa Bolsonaro - Mourão em 2018
- 'Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo', diz Mourão
- Bolsonaro falando em estado Laico e favorecer maiorias
- Declaração Universal dos Direitos Humanos
- Por que os liberais não deveriam apoiar Jair Bolsonaro?
- Bolsonaro defende mudanças na Lei Rouanet e diz que se eleito vai tirar status de ministério da Cultura
- Uma visão liberal da Lei Rouanet
- Você defende o fim do foro privilegiado? Bolsonaro responde
- Bolsonaro quer 21 ministros no STF e excludente de ilicitude para policial
- There's a gun for every American. But less than a third own guns
- Austria — Gun Facts, Figures and the Law
- Germany — Gun Facts, Figures and the Law
- Sweden — Gun Facts, Figures and the Law
- Norway — Gun Facts, Figures and the Law
- Finland — Gun Facts, Figures and the Law
- Canada — Gun Facts, Figures and the Law
- Switzerland — Gun Facts, Figures and the Law
- Israel could allow up to 500,000 more civilians to carry guns
- Small Arms Survey
- List of countries by firearm-related death rate
- Guyana — Gun Facts, Figures and the Law
- French Guiana — Gun Facts, Figures and the Law
- Suriname — Gun Facts, Figures and the Law
- Foro de São Paulo - Partidos
- Lista de governadores das unidades federativas do Brasil
- Cresce número de pessoas mortas pela polícia no Brasil; assassinatos de policiais caem
- Bolsonaro diz que quer dar "carta branca" para PM matar em serviço...
- Após dar carta branca para PM matar, Bolsonaro recua e diz que é para 'não morrer'
- Desarmamento - Conclusões
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